A catarata é o envelhecimento da lente natural dos olhos, o cristalino. Normalmente, essa estrutura é transparente, mas com o passar dos anos se torna opaca, dificultando a passagem de luz para a retina.

 

Crédito: National Institutes of Health (NIH) Catarata via photopin (licença)

 

Há muitos equívocos em relação à catarata, então cuidado! A catarata não é uma pele sobre os olhos ou um tumor, não aparece pelo uso excessivo da visão, não causa cegueira irreversível e não passa de um olho para o outro.

 

Às vezes, quando a catarata é avançada, é possível notar a região da pupila (“menina dos olhos”), normalmente negra, com um aspecto esbranquiçado ou amarelado.

 

Causas e sintomas

A catarata raramente se desenvolve em pouco tempo, geralmente ela progride ao longo de alguns anos.

 

Existem vários tipos de catarata e a maior parte é causada por uma alteração no metabolismo do cristalino, levando à perda de transparência. Essas alterações podem ser causadas por:

  • Idade
  • Traumas oculares
  • Diabetes
  • Medicamentos como esteroides
  • Hereditariedade
  • Exposição à luz solar sem proteção por um longo período
  • Cirurgia ocular prévia
  • Doenças oculares

 

A maioria dos casos é constituída pela catarata senil, ou seja, o envelhecimento natural do cristalino ao longo dos anos. Normalmente, esse processo de envelhecimento se inicia a partir da 4ª década de vida, porém pessoas mais jovens, inclusive crianças, podem ter catarata.

 

Quando a doença se manifesta na infância, pode ser por conta de fatores hereditários ou derivada de infecção /inflamação durante a gestação, afetando o recém-nascido (catarata congênita).

 

 

A localização da opacidade do cristalino vai determinar o comprometimento da visão. Dessa forma, uma opacidade central piora a visão, enquanto que a opacidade periférica não altera a vista.

 

Os sintomas mais comuns relatados por pacientes são: sensação de névoa, fumaça, visão dupla, sensibilidade à luz aumentada com ofuscamento (podendo atrapalhar para dirigir), percepção de cores alteradas (tendendo para tons amarelados) e alteração brusca no grau dos óculos.

 

Detecção e diagnóstico

O oftalmologista detecta a catarata com os exames de acuidade visual e biomicroscopia – através de uma fenda de luz é possível avaliar a intensidade e o tipo de catarata. Com o exame de fundo de olho é possível determinar se há ou não um comprometimento da retina, caso haja, talvez a visão não melhore muito após a remoção da catarata.

 

Em caso de catarata intensa, pode ser necessário um exame de ultrassonografia ocular para melhor avaliação.

 

Vale ressaltar que não se pode quantificar a melhora da visão antes da retirada da catarata, pois somente após a cirurgia é que a retina pode ser avaliada.

 

Não é possível precisar em quanto tempo a catarata irá se formar, pois varia de pessoa para pessoa. Além disso, a catarata de um olho não se desenvolve igual ao outro olho. A alteração no cristalino progride com o envelhecimento, exceto em pacientes mais jovens portadores de diabetes, nos quais ela pode avançar rapidamente.

 

Tratamento

Quando a catarata está formada, o tratamento é cirúrgico. O momento certo para a realização da cirurgia é quando ela estiver madura.

 

A catarata é como uma fruta. Quando muito verde, não faz bem – na catarata, esse tempo corresponde a uma pequena opacificação que não impede o paciente de realizar tarefas cotidianas. A fruta madura é apreciada e ideal para consumo – na catarata, essa é a época ideal para operar, está “no ponto” e já atrapalha o dia a dia do paciente, a visão fica borrada/ turva, há dificuldade para enxergar letreiros e já não é possível corrigir o grau dos óculos. Quando a fruta passa do ponto, não é apetitosa e apodrece – essa é a catarata hipermadura, ela é dura e, portanto, mais difícil de operar (em alguns casos, é necessário utilizar uma técnica cirúrgica mais antiga para evitar o sofrimento da córnea com o procedimento atual).

 

O procedimento mais moderno para a cirurgia de catarata é a Facoemulsificação (FACO) – a incisão é pequena e, às vezes, não necessita de pontos. O procedimento antigo, a Facectomia extracapsular (FEC) necessita de uma abertura mais ampla para a retirada do cristalino por inteiro e, consequentemente, requer uma maior quantidade de pontos.

 

Lente Intra Ocular (LIO)

A LIO irá substituir a lente natural, o cristalino. Existem diversos tipos de lentes e as mais atuais são as multifocais, que corrigem a visão de perto e de longe. Porém, a escolha do melhor tipo de lente para cada caso requer exames apurados e conversas entre médico e paciente.

 

“Não vou mais precisar usar óculos?”

 

Cada caso deve ser avaliado individualmente. Às vezes, para atingir uma boa visão, há a necessidade de um complemento para longe ou perto, além da LIO.

 

Cirurgia

A cirurgia da catarata é uma das cirurgias com maior índice de sucesso. Porém, uma ciência biológica não é uma ciência exata. Assim com qualquer outra cirurgia, envolve riscos.

 

Não há tratamento preventivo para a catarata, pois é um sinal do nosso envelhecimento. Quando existir um remédio para retardar o envelhecimento do cristalino, existirá um tratamento para rejuvenescer.

 

Após a cirurgia, 30% dos casos requerem uma aplicação de laser (YAG laser). Isso porque a cápsula onde a LIO é apoiada fica opaca, perdendo a transparência. O laser abre a cápsula, permitindo a passagem de luz.

 

Os cuidados pós-operatórios são muito importantes e devem ser orientados pelo médico antes da cirurgia. Entre esses cuidados, está a necessidade de uso de colírios por tempo prolongado.

 

O exame de óculos é feito por volta de trinta dias após a cirurgia e uma nova avaliação é recomendada após seis meses, quando a córnea está totalmente estabilizada. Portanto, somente após a cicatrização da cirurgia é que é possível obter o grau final dos óculos.